SERVIÇO E VOCAÇÃO

A PERSPECTIVA LITÚRGICA

REFLEXÃO

Que será isto de perspectiva litúrgica de Serviço e Vocação? Na minha opinião, talvez não haja propriamente dito uma perspectiva liturgia porque considero que a liturgia só acontece com vocação e serviço. Não é viável uma liturgia sem serviço e sem vocação; um serviço sem vocação e uma vocação sem serviço. Como cristão e leigo comprometido, proponho-mo e proponho-vos a vós uma pequena e tanto quanto possível sucinta reflexão partindo da liturgia.

Proponho um batido. Precisamos de uma misturadora e como ingredientes três palavras: vocação, serviço e liturgia. Para que, da mistura saia algo suculento, atentemos nos ingredientes. Mesmo para as grandes definições e compreensão de conceitos, sempre gostei de partir dos significados das palavras e até da sua etimologia. Assim vejamos mesmo que de forma simples.
Vocação – palavra com a sua génese no verbo latino vocare que significa chamar. Vocação é assim chamamento. Serviço - palavra com génese no vocábulo latino servitium (escravidão, servidão) que na sua evolução semântica chega até nós como serviço e, associada a vários conceitos diferentes. Pode definir um conjunto de peças de loiça para servir à mesa, um serviço religioso específico, a duração de um emprego ou, no sentido que mais nos interessará neste caso, na definição de uma acção prestada a uma coisa ou a alguém.
Liturgia – de todas, esta é a mais complexa porquanto ao longo da história foi empregada para definir coisas ligeiramente diferentes. A sua génese é uma palavra composta grega e leitourgia cujo significado é acção em favor do povo. No tempo, os sentidos dados à palavra liturgia e ao seu significado, nunca desvirtuaram a ideia de acção e, não havendo hoje uma só definição de liturgia, manteremos presente esta ideia de acção. Acção da Igreja que torna presente Cristo.Tornados claros os sabores de cada um dos ingredientes, resta-nos ligar a misturadora e saborear o resultado desta mistura. Tentarei transparecer a todos o magnifico sabor deste batido. Desde o Antigo Testamento que deparamos com episódios de chamamento. Abraão foi chamado a estar com Deus. Foi chamado a contrair uma aliança e tornar-se pai de numerosos povos (“A aliança que faço contigo é esta: serás pai de inúmeros povos.” Gn.17, 4). A sua resposta foi sim. Moisés foi chamado por Deus a conduzir o povo na sua libertação da opressão do Egipto e a caminhar para a terra prometida (“... e Deus chamou-o do meio da sarça: «Moisés! Moisés!» ...” Ex. 3, 4), (“... Por isso diz aos filhos de Israel: Eu sou o Senhor e far-vos- ei sair do peso dos carregamentos do Egipto, hei-de libertar-vos...” Ex. 5. 6). Maria é chamada a ser a Mãe do Salvador e é exemplo a seguir pois, ao chamamento de Deus, (“Disse-lhe o anjo: Maria, não temas, pois achaste graça diante de Deus. Hás-de conceber no teu seio e dar à luz um filho , ao qual porás o nome de Jesus. Será grande e vai chamar-se Filho do Altíssimo. O Senhor Deus vai dar-lhe o trono de seu pai David, reinará eternamente sobre a casa de Jacob e o seu reinado não terá fim. Lc. 1. 30-33) respondeu sim (“ Maria disse então: «Eis a serva do
Senhor, faça-se em mim segundo a tua palavra...» Lc. 1. 38). A princípio, um sim com aparente medo mas um sim sem reservas e sem interesses próprios. Deu o seu Filho a Deus como salvador dos homens. Prestou um serviço a toda a humanidade ao dar este sim a Deus. É um serviço desinteressado que, sendo difícil para nós homens, pecadores, é o exemplo a seguir para a construção de um mundo bom onde o dom do amor de Deus está presente. A sua vocação era, foi e será sempre, ser a Mãe do Salvador. Na sociedade civil, continuamos hoje, como sempre, a ser chamados a servir: o Joaquim tem vocação para médico, o António tem vocação para professor, o Luís tem vocação para electricista, a Cristina tem vocação para educadora, a Luísa tem vocação para casar, o João tem vocação para ... E, na Igreja
somos chamados a quê? Somos mesmo chamados? Deus continua a interpelar-nos como fez com Abraão, Moisés, Maria? É claro que sim e, na liturgia especialmente, fá-lo de maneira muito clara. Seja a nossa resposta tão clara como o chamamento. A todos nós Deus chama para algo e, na liturgia esse algo, mais ou menos visível concorre sempre para o somatório final em que todas as partes são igualmente importantes. O sim de cada cristão comprometido deve e tem que ser, tal como Maria, um sim
desinteressado do bem próprio e altamente comprometido com o outro – é serviço - . Somos todos convidados a ser ministros e, de acordo com os documentos da igreja pós-conciliar (depois de Vaticano II), ora ministros ordenados, ora ministros instituídos ora ministros porque servem e foram chamados a tal porque Baptizados. Desde o Bispo, ministro ordenado, até ao fiel leigo, participante activo da liturgia terrena, todos são convocados a servir, todos são convocados a participar da festa do Senhor. Todos contribuem na sua medida para o crescimento e santificação da Igreja. A liturgia será tão mais plena quanto mais cada um dos seus ministros diga sim para o que foi chamado. A liturgia será tão mais plena quanto mais cada um dos seus ministros sirva na medida dos talentos que recebeu e que foi chamado a fazer render. O leitor foi chamado a proclamar a palavra de Deus e a fazê-lo com competência de tal modo que o seu serviço seja eficaz. O músico foi chamado a tocar, a dirigir, a cantar, a cantar o salmo. O acólito foi chamado a servir o altar e a providenciar para que tudo o que de si depende esteja ao serviço no momento em que tem que estar. É o conjunto de todos os serviços presentes na liturgia que, sendo desenvolvidos com o espírito igual ao de Maria, fazem que a liturgia seja uma verdadeira antecipação da Liturgia celeste.
Não é possível retirar da liturgia estas duas variáveis: vocação e serviço. A acção litúrgica acontece porque Deus convoca e convoca a todos para participarem no único sacerdócio de Cristo. Deus convoca-nos a servir na medida dos talentos que nos atribuiu. O meu dever é dizer sim e dizê-lo de forma altruísta. Na acção litúrgica que participamos, tenhamos sempre presente o sim dos grandes vultos da história da Igreja. Não esqueçamos que a nossa vocação para o serviço nasce com o baptismo. Só temos que dizer SIM.

Emanuel Pacheco

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