SERVIÇO E VOCAÇÃO

A PERSPECTIVA DE UM ESCUTEIRO

REFLEXÃO

O fundador do escutismo, Baden-Powell (BP para os escuteiros), inspirou-
se em várias fontes para a criação deste ideal. Uma dessas fontes, entre
outras, foi a cavalaria de antanho. Usou como referencial o código dos
cavaleiros para criar a lei do escuteiro (que também tem inspiração nos
mandamentos, ou não fosse BP um cristão) e a sua nobreza do carácter
expresso numa divisa.


Assim, os escuteiros, aprendem logo que entram, aos 6 anos, nos lobitos
(6 -10), uma divisa: “Da melhor vontade”.


Não é uma divisa inocente, pretende ajudá-los a aprender a sair da sua
centralidade e começarem a descobrir o outro. É aqui que encontramos
outra valência de ser escuteiro – a prática da boa-ação. Existe alguma
tentação de satirizar o escuteiro a “obrigar” a velhinha a atravessar a rua,
mas, a verdade é que o fundador BP é claro na sua mensagem:
“Pela Promessa escutista estamos pela nossa honra obrigados a proceder
assim (a fazer todos os dias uma Boa-Acção a alguém). Mas não
suponhamos que os escuteiros não precisam de fazer senão uma Boa-
Acção por dia. Tem de fazer uma, mas se puderem fazer cinquenta, tanto
melhor.”


Começa na tenra idade a aprendizagem do serviço por parte do escuteiro.
Segue-se os exploradores (10-14) e os pioneiros (14-18) com a divisa:
“Alerta”, ou seja, estar sempre em estado de prontidão para fazer o
necessário.


Não só a divisa se intensifica, como também a lei. Se nos lobitos, numa das
máximas se advoga: “o lobito pensa primeiro no seu semelhante”, na lei
escuta para todos os grupos etários seguintes já se têm: “o escuta pratica
diariamente uma boa-ação”. Já não se pensa apenas, age-se.
Quando se chega aos caminheiros (18-22), jovens maiores de idade,
mantêm-se a lei, mas eleva-se a exigência da divisa: “Servir”.

Neste patamar superior há um claro assumir do serviço como prioridade
e, aos caminheiros, apresenta-se como referencial o Homem Novo (1 Cor
5,7 ; Ef 2,15-16) que se obtêm pela prática das Bem-Aventuranças.

Até ao fim do percurso do escuteiro, com a Partida, aos 22 anos, todas as
pistas apontam para o serviço, visando dar sentido ao desejo do fundador
para a acção do escuteiro: “deixar o mundo um pouco melhor”.


Neste momento é oportuno perguntar se o serviço será o mesmo do que
vocação?
Aos meus olhos não.


Os jovens procuram o escutismo para se divertirem, encontrar amigos e
por muitas outras razões. Poucos serão aqueles que o procuram para
servir, logo, não será uma vocação, mas, um meio que a intencionalidade
educativa dos animadores promove para atingir as finalidades do
escutismo. Portanto, se há vocação, a vocação é dos animadores.
Os animadores dos escuteiros, como os catequistas e muitos outros
voluntários, representam aquilo que se pode definir como vocação – a
disposição natural do espírito; a propensão para pensarem primeiro nos
semelhantes (como os lobitos); a tendência para ver a necessidade de agir
para promover a mudança (como os exploradores e os pioneiros); a
escolha de servir (como os caminheiros).


Não acredito na predestinação e sei que o talento não chega, por isso é
sempre preciso pedir ajuda. Assim, a formação é fundamental para se ser
eficaz na missão escolhida (os animadores escutistas têm um longo
processo de formação e redescobrem a formação contínua) e o apoio
daquele que é a nossa meta e razão de ser enquanto escuteiros católicos –
Jesus Cristo (o Homem Novo). Aquele que nunca nos desampara (Fil 4,13)
e desta forma se cumpre a missão no cumprimento da sua vocação (Mt
18,5; 19,14).

FERNANDO ANDRADE

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